Ágatha e Allan: mistério em Bacabal se complica entre vegetação densa, rios e informações desencontradas

Quase um mês após o desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, no Quilombo São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, o caso continua mobilizando forças de segurança e comovendo moradores da região. Desde 4 de janeiro, equipes da Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Exército, Marinha e voluntários atuam de forma conjunta na tentativa de localizar as crianças. No entanto, a área onde ocorreu o desaparecimento apresenta grandes desafios: há trechos de mata fechada, pastagens, lagos e açudes, além de relevo irregular e poucas trilhas, o que torna qualquer operação mais lenta e arriscada. A presença de animais silvestres, armadilhas de caça e a falta de energia elétrica — que limita o uso de equipamentos à noite — também reduzem o tempo efetivo das buscas.
Outro obstáculo é a incerteza sobre o ponto exato em que as crianças teriam se separado do primo mais velho, Anderson Kauan, de 8 anos. Ele relatou que os três caminharam por dias dentro da mata, mas não conseguiu indicar com precisão o local da separação, obrigando as autoridades a ampliar o perímetro de procura. Também há dúvidas sobre o trajeto seguido após a última noite em que teriam permanecido em uma cabana abandonada conhecida como “casa caída”. Sem pistas concretas, as equipes precisam considerar diferentes hipóteses — desde a possibilidade de terem buscado outro abrigo até a chance de terem se aproximado de cursos d’água —, o que aumenta a complexidade logística e exige divisão de esforços.
As condições climáticas agravam ainda mais a situação. O período chuvoso apaga rastros rapidamente, dificultando a identificação de pegadas e outros vestígios, mesmo com o apoio de cães farejadores, drones e equipamentos de varredura. As buscas também se estendem ao Rio Mearim, onde mergulhadores já inspecionaram cerca de 19 quilômetros, mas sem encontrar evidências conclusivas. Além disso, as autoridades precisam lidar com boatos que circulam nas redes sociais, exigindo verificação constante e desviando recursos importantes. Apesar das dificuldades, mais de 200 quilômetros de áreas terrestres já foram percorridos, e as operações continuam com persistência, na esperança de trazer respostas à família e à comunidade que acompanha o caso com apreensão.







