Celso Portiolli vira alvo de investigação após situação em programa de TV

Uma situação ocorrida durante um conhecido programa de televisão acabou dando origem a uma ação civil pública e colocando um famoso apresentador no centro de uma discussão envolvendo proteção e bem-estar animal.

O caso, que ainda está sendo analisado pela Justiça, envolve diferentes interpretações técnicas sobre o que teria acontecido durante a atração. Enquanto entidades de proteção aos animais apontam possíveis sinais de sofrimento e tratamento inadequado, pareceres apresentados no processo apresentam divergências sobre as condições às quais o animal teria sido submetido.

O episódio também levou a Justiça a determinar, em caráter liminar, uma importante restrição para uma das maiores emissoras do país. A decisão estabeleceu que animais não poderiam ser utilizados em atrações da emissora, além de prever uma multa de R$ 100 mil caso a determinação fosse descumprida.

Agora, o processo entrou em uma nova etapa. O Ministério Público de São Paulo entende que ainda é necessário esclarecer tecnicamente alguns pontos antes que a Justiça possa tomar uma decisão definitiva sobre o caso.

A controvérsia gira em torno de uma dinâmica exibida na televisão que envolveu um animal e acabou provocando questionamentos de entidades ligadas à defesa dos animais. O caso chamou atenção justamente porque as imagens do programa permanecem registradas e fazem parte dos elementos analisados no processo.

O apresentador envolvido no caso é Celso Portiolli, e o episódio aconteceu durante o programa “Domingo Legal”, do SBT, quando ele levou uma rã para participar de uma dinâmica da atração.

O que aconteceu durante o programa

A ação civil pública foi movida contra Celso Portiolli e o SBT após a participação da rã no programa. Entidades de proteção animal alegam que o animal teria sido submetido a situações de estresse intenso, além de manuseio considerado inadequado e exposição excessiva a sons e luzes.

As organizações sustentam que a situação poderia ter causado sofrimento ao animal e, por isso, buscaram medidas judiciais para impedir que situações semelhantes voltassem a acontecer.

A Justiça concedeu uma liminar favorável às autoras da ação e proibiu o uso de animais em atrações do SBT. Em caso de descumprimento da determinação, foi estabelecida multa de R$ 100 mil.

A discussão, entretanto, não terminou com a decisão liminar.

Pareceres veterinários apresentam divergências

Um dos principais pontos do processo está relacionado às avaliações feitas por profissionais da área veterinária. Existem pareceres com interpretações diferentes sobre as condições enfrentadas pelo animal durante a participação no programa.

Diante da divergência técnica, o Ministério Público entende que uma nova avaliação especializada pode ser necessária para esclarecer definitivamente a questão.

Em agosto, a juíza responsável pelo processo solicitou que as partes se manifestassem sobre a possibilidade de julgamento imediato ou sobre a necessidade de produção de novas provas.

Portiolli e o SBT defenderam que os elementos já reunidos seriam suficientes para que o caso pudesse ser julgado.

Do outro lado, o Instituto Thais Viotto, uma das entidades envolvidas na ação, pediu a realização de novas diligências.

Ministério Público quer perícia oficial

O Instituto Thais Viotto solicitou os depoimentos pessoais de Celso Portiolli e de representantes do SBT, além da oitiva dos veterinários responsáveis pelos pareceres que apresentam interpretações divergentes.

A entidade também pediu a realização de uma perícia técnica para avaliar as circunstâncias envolvendo o animal.

O Ministério Público de São Paulo se manifestou sobre os pedidos por meio do promotor Gustavo Albano Dias da Silva. Ele apoiou a realização de uma perícia médico-veterinária judicial.

Na avaliação do Ministério Público, os depoimentos pessoais seriam desnecessários neste momento, especialmente porque os acontecimentos estão registrados em vídeo.

A existência das imagens permite que os fatos sejam analisados diretamente a partir do conteúdo exibido no programa, enquanto a perícia poderá contribuir para esclarecer os aspectos técnicos relacionados ao bem-estar do animal.

Caso ainda não teve decisão definitiva

Apesar da repercussão do caso, é importante destacar que o processo ainda está em andamento e não existe, até o momento, uma decisão definitiva estabelecendo a responsabilidade de Celso Portiolli ou do SBT pelos fatos questionados.

A discussão atual está concentrada principalmente na necessidade ou não de produzir novas provas antes do julgamento.

A decisão sobre os próximos passos caberá à juíza Maria Helena Steffen Toniolo Bueno, responsável pelo processo.

Enquanto o caso aguarda uma definição, a liminar que restringe a utilização de animais nas atrações do SBT permanece como um dos principais desdobramentos da ação.

O processo deverá avançar após a análise da magistrada sobre os pedidos apresentados pelas partes e a manifestação do Ministério Público. A eventual realização de uma perícia médico-veterinária poderá ser decisiva para esclarecer as divergências existentes nos pareceres e ajudar a Justiça a avaliar o que ocorreu durante a participação da rã no programa.

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