Filho do Goleiro Bruno fala pela primeira vez sobre o pai “Tenho pena”

Bruninho costuma dizer que sua história não foi uma escolha, mas a forma como decidiu vivê-la, sim. Aos 14 anos, ao entrar em campo pela primeira vez com a camisa do Athletico-PR, o jovem goleiro sentiu o coração disparar e, por um instante, olhou para o céu pensando na mãe, Eliza Samudio. Ele nunca teve a chance de conhecê-la — ainda era um bebê quando o país foi abalado pelo crime que tirou sua vida. Criado pela avó, Sônia Fátima, Bruninho encontrou no amor e na resiliência dela a base para transformar uma origem marcada pela dor em uma trajetória de coragem.
Apesar do sobrenome ligado a uma das tragédias mais lembradas do Brasil, Bruninho escolheu ser reconhecido por seu próprio talento. Desde cedo, aprendeu a lidar com olhares curiosos e comentários sussurrados, mas nunca permitiu que isso definisse quem ele seria. Determinado, fez um teste no Athletico em 2022, foi aprovado e avançou rapidamente pelas categorias de base. Hoje, treinando entre o sub-14 e o sub-15, é visto por técnicos como um atleta disciplinado, promissor e dono de uma maturidade rara para a idade — alguém que parece entender que carrega muito mais do que apenas as luvas de goleiro.
Em sua primeira entrevista na TV aberta, Bruninho emocionou o público ao falar com serenidade sobre o passado e o futuro que deseja construir. Ao comentar sobre o pai, foi direto: reconheceu o jogador que ele foi, mas lamentou a pessoa que se tornou, afirmando não sentir ódio, e sim pena. Sem espaço para ressentimentos, o jovem deixa claro que não busca compaixão — quer apenas a oportunidade de jogar e escrever a própria história. Mais do que “o filho de Eliza” ou “o filho do goleiro Bruno”, Bruninho quer ser lembrado simplesmente como o goleiro do Athletico — e tudo indica que está no caminho certo para isso.







