A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) ganhou um novo capítulo nesta semana após o senador decidir concentrar esforços em uma pauta que pode provocar forte repercussão entre os trabalhadores brasileiros: a proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6×1.
Em meio à corrida eleitoral, o parlamentar passou a atuar para tentar dificultar o avanço da proposta no Senado. A estratégia envolve a mobilização de aliados da oposição para apresentar sugestões e tentar alterar o texto que chegou à Casa depois de ser aprovado pela Câmara dos Deputados.
A movimentação ocorre justamente quando a PEC entrou em uma fase decisiva no Senado. O relator da proposta, Omar Aziz (PSD-AM), sinalizou que pretende manter o texto aprovado pelos deputados e afirmou que está disposto a ouvir sugestões, mas não trabalha, neste momento, com a perspectiva de modificar a proposta.
O tema ganhou ainda mais importância no cenário eleitoral porque o fim da escala 6×1 se tornou uma das principais pautas relacionadas ao mercado de trabalho durante a campanha de 2026. A proposta prevê mudanças na jornada semanal e a ampliação dos dias de descanso dos trabalhadores.
É nesse cenário que Flávio Bolsonaro decidiu entrar diretamente na articulação contra o avanço da PEC no Senado.
Bolsonaristas devem pressionar por mudanças
A estratégia dos aliados de Flávio é atuar dentro do Senado para tentar modificar o texto que chegou da Câmara. A avaliação entre os bolsonaristas é que a proposta precisa ser discutida com mais cuidado antes de avançar.
O grupo deve apresentar emendas e sugestões durante a tramitação. Omar Aziz, por sua vez, afirmou que pretende ouvir os parlamentares, mas indicou que não pretende simplesmente reescrever o texto aprovado pelos deputados.
A posição do relator coloca a oposição diante de um desafio: caso as alterações propostas não sejam acolhidas, a PEC poderá avançar em uma versão muito próxima daquela que já passou pela Câmara.
A proposta aprovada pelos deputados prevê a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, além da garantia de dois dias de descanso remunerado e de uma transição sem redução salarial.
Fim da 6×1 vira disputa política
A discussão sobre a jornada de trabalho deixou de ser apenas uma pauta trabalhista e passou a ocupar espaço importante na disputa eleitoral.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem defendido o avanço da proposta, enquanto setores da oposição questionam a maneira e o momento em que o texto está sendo discutido.
A equipe de Flávio Bolsonaro já havia demonstrado preocupação com os efeitos econômicos da mudança. A coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, classificou anteriormente o debate como “populista e inócuo” e defendeu maior liberdade para a definição das jornadas de trabalho.
Flávio, por sua vez, não incluiu em seu plano de governo um compromisso com o fim da escala 6×1. O documento apresentado pela campanha defende maior flexibilidade na definição das jornadas e nos modelos de contratação.
Votação pode acontecer nos próximos dias
A movimentação ocorre às vésperas de uma possível análise da proposta no Senado. Omar Aziz trabalha com a expectativa de que a matéria avance rapidamente, com previsão de votação na Comissão de Constituição e Justiça em 2 de setembro.
O cenário, portanto, coloca Flávio Bolsonaro e seus aliados diante de uma corrida contra o tempo.
Enquanto o relator tenta acelerar a tramitação e manter o texto aprovado pela Câmara, parlamentares ligados ao candidato devem buscar mudanças capazes de alterar pontos da proposta.
O resultado dessa disputa poderá ter impacto não apenas na tramitação da PEC, mas também no discurso dos candidatos durante a campanha presidencial.
Flávio aposta em outro discurso sobre a jornada
A posição adotada por Flávio Bolsonaro ocorre em um momento delicado da campanha. O fim da escala 6×1 conta com forte apoio popular e se transformou em uma das pautas de maior apelo entre trabalhadores.
Uma pesquisa Datafolha citada em reportagem recente aponta que 71% dos entrevistados apoiam o fim da escala 6×1. O tema também passou a ser explorado politicamente pelo governo Lula durante a campanha.
Por isso, uma oposição direta à proposta pode representar um risco eleitoral para o candidato, especialmente entre trabalhadores que enxergam a mudança como uma oportunidade de ter mais tempo de descanso e convivência familiar.
A estratégia adotada pela campanha, segundo informações publicadas sobre a movimentação, busca concentrar as críticas principalmente na tentativa de votar a proposta durante o período eleitoral, evitando transformar a posição de Flávio em uma rejeição absoluta à discussão sobre a jornada.
Disputa deve ganhar força no Senado
Com a PEC prestes a ser analisada, o Senado se tornou o principal palco da disputa.
De um lado, o relator Omar Aziz afirma que pretende manter o texto aprovado pela Câmara. Do outro, aliados de Flávio Bolsonaro devem tentar apresentar emendas e convencer outros senadores a modificar a proposta.
A discussão deverá revelar até onde a oposição está disposta a ir para impedir que o texto avance sem alterações.
Para Flávio, a questão também tem um componente eleitoral. O senador disputa a Presidência da República em 2026 e precisa equilibrar sua posição política com a reação dos trabalhadores à proposta.
A PEC da 6×1, que durante meses esteve concentrada no debate sobre relações de trabalho, agora se tornou também uma peça importante da disputa presidencial.
E, com a aproximação da votação, a atuação de Flávio Bolsonaro no Senado promete colocar ainda mais pressão sobre uma das propostas que mais dividem o debate político e econômico do país.




