Lula é orientado a convocar Conselho da República e defender mandato no STF

A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou novos contornos nos bastidores do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com o cenário político ficando cada vez mais delicado e a disputa eleitoral se aproximando, auxiliares do presidente passaram a defender uma reação mais firme do Palácio do Planalto.

A avaliação de pessoas próximas ao presidente é de que o momento exige uma resposta política e institucional capaz de diminuir a tensão que se acumulou nas últimas semanas. Entre as alternativas discutidas, estão medidas que poderiam colocar o próprio governo no centro do debate sobre o funcionamento da mais alta Corte do país.

O assunto teria ganhado ainda mais força depois dos resultados recentes de pesquisas eleitorais. A possibilidade de Lula enfrentar um cenário mais competitivo na corrida presidencial aumentou a preocupação dentro do governo, especialmente diante do crescimento de nomes ligados ao campo político de direita.

É nesse ambiente de pressão que surgiu uma das sugestões consideradas mais sensíveis: a convocação do Conselho da República. O colegiado tem justamente entre suas funções prestar aconselhamento ao presidente em momentos considerados graves para as instituições brasileiras.

A proposta, porém, ainda divide opiniões dentro do próprio governo. Enquanto alguns interlocutores enxergam a convocação como uma forma de demonstrar que Lula pretende enfrentar a crise de maneira institucional, outros temem que a medida acabe ampliando ainda mais a exposição do assunto e provoque um efeito contrário ao desejado.

Outro movimento defendido por aliados seria uma nova conversa entre Lula e o presidente do STF, Edson Fachin. A intenção seria buscar uma saída considerada pacificadora para o momento de tensão e discutir os próximos passos diante dos conflitos envolvendo integrantes da Corte.

Nos bastidores, alguns interlocutores também passaram a defender uma postura mais dura em relação ao ministro Alexandre de Moraes. Segundo essas pessoas, seria necessário permitir ou apoiar a abertura de investigações relacionadas ao magistrado. Essa, no entanto, é uma posição defendida por integrantes do entorno político de Lula e não significa que uma decisão nesse sentido tenha sido tomada pelo presidente.

Também entrou na discussão a situação do ministro André Mendonça, especialmente em relação às relatorias dos casos envolvendo o Banco Master e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Aliados de Lula avaliam que Mendonça deveria deixar essas relatorias, alegando que o cenário atual teria comprometido a imparcialidade necessária para conduzir os processos.

Outro ponto que voltou ao centro das conversas é o futuro dos ministros do Supremo. A campanha de Flávio Bolsonaro tem explorado a possibilidade de Lula indicar até quatro novos integrantes do STF até 2030, caso seja reeleito.

Como resposta política a esse argumento, interlocutores do presidente passaram a defender que Lula assuma imediatamente a defesa de uma mudança constitucional para estabelecer mandatos para futuros ministros da Corte. As propostas discutidas falam em períodos de dez ou 15 anos.

A ideia representaria uma mudança importante no modelo atual, já que os ministros do STF não possuem um mandato com duração previamente determinada. Atualmente, eles permanecem no cargo até a aposentadoria compulsória, que ocorre aos 75 anos.

Enquanto essas propostas são debatidas, outra crise colocou ainda mais pressão sobre o governo. Lula foi orientado por integrantes de seu entorno a reagir à decisão que determinou o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal.

A primeira medida deverá ser jurídica. A Advocacia-Geral da União (AGU) deve recorrer da decisão, sustentando que a indicação do diretor-geral da Polícia Federal é uma competência privativa do presidente da República.

Lula também pretende buscar uma nova reunião com Fachin para discutir o assunto e tentar encontrar uma solução institucional para o impasse.

O momento preocupa especialmente porque a disputa eleitoral começa a ganhar cada vez mais espaço dentro do Palácio do Planalto. Na avaliação de auxiliares, a crise envolvendo o STF pode acabar se tornando um dos principais assuntos da reta final da campanha, ao lado de temas como economia e segurança pública.

Por enquanto, porém, boa parte das propostas permanece no campo das discussões internas. A convocação do Conselho da República, uma possível mudança no modelo de indicação para o STF e os questionamentos envolvendo ministros da Corte ainda dependem de decisões políticas e institucionais.

O que já está claro é que a pressão sobre Lula aumentou — e os próximos movimentos do presidente poderão definir não apenas a estratégia do governo diante da crise, mas também o tom da disputa eleitoral que se aproxima.

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